Em
o Livro dos Espíritos, capítulo X - Lei de
Liberdade -, do Livro Terceiro, intitulado AS LEIS MORAIS,
Allan Kardec questiona os espíritos sobre temas que
dizem respeito à vida em sociedade, principalmente
no que tange às ações humanas como
a liberdade, a escravidão, a fatalidade e o determinismo.
A liberdade humana, assunto
de debate entre filósofos e teólogos, é,
segundo a Doutrina Espírita, relativa, pois o homem
vive condicionado por limitações inerentes
à sua própria natureza humana, bem como a
sua condição de espírito, criatura
divina, que está sujeito às leis universais
da evolução. Diz-nos Léon Denis, em
DEPOIS DA MORTE (p.244),
A liberdade do ser se exerce,
portanto, dentro de um círculo limitado: de um lado,
pelas exigências da lei natural, que não pode
sofrer alteração alguma e mesmo nenhum desarranjo
na ordem do mundo; de outro, por seu próprio passado,
cujas conseqüências lhe refluem através
dos tempos, até à completa reparação.
Entretanto,
é o pensamento a maneira mais autêntica da
liberdade para o homem, mesmo que ainda preso ao seu estágio
evolutivo, haja vista "pode-se deter-lhe o vôo,
mas não aniquilá-lo" (KARDEC, q. 845).
O livre arbítrio,
sinônimo dessa relativa liberdade, tem no pensamento
sua principal forma de manifestação, uma vez
que é o pensamento o primeiro nível por onde
as ações humanas acontecem, ou seja, antes
de uma ação se concretizar, a mesma foi, antes
de tudo, pensada e posta em execução pela
vontade de quem a originou. Daí nasce, a partir das
experiências de vidas sucessivas - reencarnações-,
o destino da criatura humana que é
forjado mediante ações e atos feitos, em vidas
anteriores e atual, de maneira individual ou coletiva. Vê-se,
portanto, que aquilo que se denomina destino
nada mais é do que a resultante do conjunto de atitudes
tomadas, pelo uso do livre arbítrio, em outras experiências
e das atitudes presentes, que se traduz por felicidade ou
infelicidade.
O destino, importa salientar,
não é determinístico, fixo; ao contrário,
pode ser mudado, alterado pela mesma força, pelo
mesmo impulso que o originou (vontade humana). Ou seja,
se a criatura humana comete um ato de conseqüência
infeliz, seja para ela ou para outrem, já criou um
impulso de mesma conseqüência para ela, pois
aí têm-se a lei da ação
e reação. É necessário,
então, que a mesma criatura reverta esse impulso,
gerando uma força de igual intensidade e força,
mas agora para o bem, porque assim ela anulará ou
mudará a trajetória do destino criada pelo
ato menos feliz. Assim, observa-se que não há
destino imutável nem inamovível, pois, no
campo da moral, sempre será possível
alterar comportamento humano pelo uso racional do livre
arbítrio e, daí, calcular suas conseqüência.
Logo, os atos da "vida moral emanam sempre do próprio
homem, que tem sempre, por conseguinte, a liberdade de escolha;
para esses atos, pois jamais há fatalidade"
(L.E. q. 861).
O conhecimento da vida espiritual,
isto é, de que o homem é, na verdade um espírito
imortal encarnado no planeta, alarga e melhora a percepção
da responsabilidade da vida em sociedade, já que
um ato infeliz cometido gera imediatamente conseqüências
funestas para ele e para a coletividade. Têm-se, aí,
nessa complexidade, os comportamentos advindos dos hábitos
culturais que também se configuram como criações
humanas provenientes da vida em sociedade, a partir do exercício
do livre arbítrio dado por Deus ao homem. Daí
não ser possível justificar certas atitudes
como uma mera resultante de fatores culturais, mas sim se
deve levar em conta vontade humana como condutora dos processos
de vida.
Observa-se que a vida humana,
esteja ela onde estiver, é de responsabilidade primeira
do próprio indivíduo e, depois, do ser social
(coletividade), pois a cada um Deus legou inteligência
a consciência pra ajudar em sua trajetória
evolutiva. Há, assim, uma Lei maior que nos antecede
e precede, presidindo a vida no universo (DEUS), e o homem,
como parte deste grande organismo, deve tomar ciência
do funcionamento dessa estrutura organizacional em que vive,
agindo de conformidade com princípios éticos,
que privilegiem o ser em detrimento de
seu status social, e com as normas de convivência
verdadeiramente solidárias e fraternas, em possa
ver no outro um ser igual a si mesmo, com a mesma diretriz
finalística: a evolução e a felicidade.Assim,
a partir do exposto, afirma-nos Ubaldi que,
"a grande descoberta da humanidade futura consistirá
no fato de dar-se conta da presença dessa Lei e em
conseguir ver-lhe o funcionamento em cada detalhe, desde
os grandes fenômenos cósmicos aos pequenos
fatos de nossa vida cotidiana. (...) Poder-se então
prever o resultado de cada ato nosso, e guiando-nos com
inteligência, evitar tantos desgostos". (Téc.
Func. Lei de Deus, p.190)
REFERÊNCIAS:
KARDEC,
Allan. (1944). O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de
Janeiro: Federação Espírita Brasileira.
______________.
(1944). O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: Federação
Espírita Brasileira.
LUIZ,
A. [1958]. (1999). Evolução em Dois Mundos.
[psicografado por] Francisco Cândido Xavier e Waldo
Vieira. Rio de Janeiro: Federação Espírita
Brasileira.