Pequeno resumo das Palestras do Congresso (Jorge Damas, Julio
Damasceno e Mauricio Crispim)
Falar
de Deus é falar do Absoluto, usando palavras relativas
no relativo. Logo, não estaremos falando de DEUS.
Deus na visão judaico-cristã é antropomórfico,
espelhado na imagem do homem, seus defeitos e virtudes.
Exemplo clássico, é a expressão “Deus
é pai”. Segundo as filosofias fixistas (inspirada
em Aristóteles), Deus teria criado o mundo de uma
só vez, com os seres que aí estão (sem
admitir a evolução da forma, ou seja, darwiniana),
e administra sua obra, “de fora”. Este pensamento
permeia a base teológica de várias religiões.
Porém, sabe-se que a forma de entender Deus revela
o nível evolutivo da criatura. Exemplos: “Deus
é fiel”, e perguntaríamos: fiel a quem?
Ou fiel a quê? Outro exemplo: “Deus é
a natureza”. Deus não pode ser a natureza porque
a natureza consiste no lado patológico da criação,
pois a natureza é matéria, logo, perecível,
passageira. Deus não pode ser definido. Mesmo em
“O Livro dos Espíritos”, a questão
n.º 1 “O que é Deus?” não
foi respondida pelos Espíritos Superiores, a semelhança
de outras questões desta mesma linha que eles admitiam
não saber a resposta. Na primeira edição
de “O Livro dos Espíritos”, essa questão
não está respondida, aparecendo entre parênteses
a observação “Définition ci-à-côté”,
ou seja, “definição aqui ao lado”.
E a definição é aquela que conhecemos
“Deus é a Suprema Inteligência, Causa
Primeira de todas as coisas”, escrita por Allan Kardec,
inspirada por Agostinho e Tomás de Aquino. “Deus,
causa primeira sem causa, não tem princípio
nem fim e tudo gera sem Ter sido gerado. Deus simplesmente
“é”, e tudo Ele “é”,
não encerrado no limite de nenhuma dimensão.
As várias dimensões nascerão depois,
entre as quais o tempo e o espaço, apenas como limites
do ser, enquanto Deus é o ser sem limites”
(Pietro Ubaldi, “Deus e Universo”, p.84). Deus,
nesta idéia, é a consciência. Deus é
amor, inclusive na forma de egoísmo, ciúme,
ódio. Logo, tudo o que existe é Amor, e somos
“imagem e semelhança de Deus” enquanto
substância vibracional. Iguais a Deus e entre si em
vibração, mas diferentes a Deus em potência
e diferenciados hierarquicamente entre si. Na questão
540, de “O Livro dos Espíritos”, a resposta
é clara: “(...) É assim que tudo serve,
que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo
até o arcanjo, que também começou por
ser átomo. Admirável lei de harmonia, que
vosso acanhado espírito ainda não pode apreender
em seu conjunto!”. Ou seja, viemos todos do átomo
(que são nossos irmãos) e estamos a caminho
de sermos Cristo (arcanjos, espíritos puros). Cristo
é o “resumo da criação”:
possui qualidades divinas, transformismo e se materializou.
Jesus dialogando com Felipe informa-o que quem o vê,
vê o Pai que o enviou. Somos a maior realização
divina: consciências irmanadas. Únicos, com
função única, com conhecimentos e personalidades
únicas, com Deus como centro. A evolução
é a união pelo amor, por construção
do Universo material (falso, doentio, passageiro), o retorno
ao Sistema, e por isso, a afirmação de Bittencourt
Sampaio: “Somos uma caravana que não deve se
dispersar”. Assim, a capacidade de se unir ao outro,
demonstra o nível evolutivo da criatura, e Jesus
reforça essa necessidade evolutiva de união
ao assegurar que “quando duas ou mais pessoas estiverem
reunidas em meu nome aí estarei entre elas”.
Em sua passagem pela Terra, Jesus não perdia tempo
com polêmicas e longos debates. Porém em Lucas
10:25, Mateus 22:34 e Marcos 12:28, ele dá atenção
especial a questão que lhe foi proposta pelo doutor
da lei, pois a questão ia ao âmago de sua missão
na Terra e de sua doutrina: o Amor. E daí a nossa
responsabilidade ética com o social, com nossos semelhantes.